Liguei o carro, coloquei o cinto, acendi os faróis e saí. (tocava secret smile)
Fiz o retorno no meio do canteiro e coloquei a terceira marcha.
Mais uma e mais uma... o pé no freio.... “quebra-molas”... e uma nova seqüência até se passarem 900 metros, onde um semáforo me esperava rubro. Esperei um pouco... e fui!
Virei à direita e olhei para um túnel de árvores que ilustravam um deserto. Acelerei!
Um viaduto... passei por cima e contornei 270 graus até passar por baixo dele mesmo.
Dirigi três quilômetros, passei por mais três semáforos e três “quebra-molas”, até chegar a um vale gelado... Uma avenida iluminada me esperava vazia e silenciosa. (tocava heroes)
As luzes passeavam cambaleantes com o meu sono e dirigi na retidão do ermo até encontrar ruas que se dobravam e se bifurcavam para esquerda e para direita... mal iluminadas e sonolentas, sombreadas por galhos assustadoramente poéticos. (tocava open your eyes)
Mais uma esquina, um vento frio e um portão amarelo que se abre devagar... ... ... motor quente, tudo se cala, e os faróis dormem.
Descrever é como chegar perto, sentir o sabor de muitas formas... o teu sabor de muitas formas ...e tocar...
Quando descrevo... quero que sinta o mais próximo do que eu posso te dar, como o abraço quentinho, o beijos que eu sempre ensaio. “Começando pelo canto da tua boca...”.
Eu gosto de tudo em você, de você em mim... gosto dos teus vestidos, da tua silhueta... de quando você chega... fatal... cheia de dedos, de detalhes, cheia de si, cheia de brilho no olhar.
Você me dá vontade de “não sei”... de te beijar na chuva forte, encostada no carro. Beijar tua boca molhada, com os dedos entre teus cabelos... um beijo demorado, pra você nunca parar de querer.
Descrevo pra você saber como é o sabor... e veja a cor das sensações
Então me esforço em descrever você e descrever para você...
Te vejo em câmera lenta, como num clipe... todos ficam desfocados e não tem como não te perceber . Tua boca se abre devagar, teus lábios se tocam macios.... “volupiosos”... teu sorriso vem como os dias de sol em janeiro e teu perfume é de manhã de férias... um final de tarde de inverno... cálido como vapor depois do banho... que envolve e passeia entre os cantos de tudo...
E você continua tão poderosa quando o vento encontrando o pó
e deixa tudo confuso...é contraditório e harmônico... teu sorriso é devastador...
e você tem o privilégio de ser única e penso que nasci apaixonado por você.